“Adormecida” de Anna Sheehan – Resenha

30 out

Rose Fitzroy esteve dormindo profundamente por décadas.

Imersa num sono induzido, esquecida em um porão por mais de 60 anos, a jovem foi tratada como desaparecida enquanto os anos sombrios pairavam sobre o mundo. Despertada como por encanto e descobrindo-se herdeira de uma corporação multimilionária, Rose vai entendendo pouco a pouco, tudo o que aconteceu em sua ausência.

Ela descobre que seus pais estão mortos. O rapaz por quem era apaixonada não é mais que uma mera lembrança. A Terra se tornou um lugar estranho e perigoso, especialmente para ela, que terá de assumir seu lugar à frente dos negócios.

Desejando adaptar-se à nova realidade, Rose só consegue confiar numa única pessoa estranhamente familiar. Rose até gostaria de deixar o passado para trás, no entanto, ao pressentir o perigo, percebe que precisa enfrentá-lo – ou não haverá futuro.

Foi há sessenta e dois anos, oito meses e doze dias que a minha vida começou a trilhar o caminho que conduziu ao horror que eu agora vivia.

“Adormecida” me prendeu de cara! Não sei como funcionou isso, rsrsrsr, apenas comecei a ler e na segunda pagina, mesmo não tendo NADA demais, eu já estava conquistada.

Rose foi colocada em estase(Estase é um estado de sono. A pessoa fica em uma câmara (como um caixão) e seu corpo para totalmente devido um processo químico. A pessoa não envelhece independente da passagem de tempo) há mais de 70 anos atrás, e apenas por um acidente ela foi acordada. Ela acordou em um mundo estranho onde todos que ela amava tinham morrido e ela não sabia como lidar com isso; com o novo mundo, sua nova vida e as novas pessoas que estavam ao seu redor.

O livro começa no momento em que Rose é acidentalmente acordada por Bren, ela está confusa, com dor e seu corpo não está funcionando direito. E para piorar tudo, ela recebe a noticia que muitos anos se passaram, quando para ela era como se tivesse vistos todos que amava apenas ontem.

O que me prendeu na leitura no inicio foi o mistério do porque ela foi colocada em estase e como foi esquecida, mas logo depois foi a maneira tão silenciosa que Rose passava por tudo que me conquistou.

Ela não se importava com as pessoas ao seu redor, e enquanto era sufocada e ao mesmo tempo abandonada por elas, Rose tentou  viver no novo mundo desconhecido. E para mim ela lidou muito bem com isso, considerando tudo pelo qual ela passou.

Rose foi uma protagonista diferente de muitas que li por aí.

Ela perdeu o espírito de luta há muito tempo. Então se você espera encontrar um protagonista forte está lendo o livro errado.

Mas, para mim ela foi forte a sua maneira. Não acredito que eu pudesse me manter sã se minha vida fosse como a dela, eu enlouqueceria e depois surtava mais um pouquinho.

Eu queria saber há quanto tempo estivera em estase, mas desisti, não importava. Sempre dizia para mim mesma, logo depois que despertava, que isso não importava.

O comportamento estranho de Rose – para uma adolescente, ainda mais uma da literatura – no começo me fez quase aliviada por me ver livre de egoísmo extremo, decisões impensadas e atitudes irritantes. Porem, depois de descobrir o motivo por trás da sua submissão e falta de luta o desenvolvimento da personagem acabou tomando um rumo completamente novo para mim.

Ela foi quebrada há muito tempo e a maneira como ela usou a arte para escapar, contribuiu para a delicadeza e charme da historia.

E depois fez com que eu percebesse que mesmo amando sua arte, tudo não passava de uma forma de escapar da sua mente, dos seus sonhos e dos seus desejos – uma forma de se manter junta – de escapar da vida que ela não podia controlar.

E para mim é disso que o livro se trata, do desenvolvimento de alguém que já está derrotado, do crescimento dela como uma pessoa que foi impedida de crescer da maneira mais terrível e cruel que os pais poderiam fazer.A forma em que ela começou a ver seu passado com novos olhos foi o começo do seu crescimento atrasado.

De agora em diante, vou tentar me agarrar aos meus sonhos o máximo que puder. Passei da hora de ficar perdendo meu tempo, me prendendo a fantasias, negando o que está dentro do meu coração e diante dos meus olhos. (…)

Sonho que um dia eu realmente vou acreditar que tenho um lugar nesse mundo.

Sonho que sou forte. E tenho três amigos que sonham comigo.

Meu nome é Rose Samantha Fitzroy. Tenho cem anos de idade. Sou livre. Ainda tenho meus tormentos. Mas pelo menos, estou bem acordada.

Os personagens secundários não tiveram muito destaque; a família de Bren, fez algumas aparições, os pais adotivos não apareciam e Reggie desempenhou seu papel, mas me decepcionou um pouco com a “viradinha” no final estilo filme classe B.

Bren e Otto foram os unicos que mereciam o destaque .

Eles foram uma ancora para Rose e a atitude da autora depois em resolver a situação de Rose e Bren foi interessante e sem clichês o que quase me fez pular, porque tooooodo mundo aqui sabe que odeio triângulos amorosos!

A amizade entre Rose e Otto, foi linda e construída de maneira satisfatória. Ambos foram controlados e feridos por outros, não tinham nenhum domínio de sua própria vida e acharam na conversa que tinham uma maneira de ser ouvido e não julgado.

A única diferença, entre eles foi que Otto lutava pela sua liberdade, enquanto Rose apenas olhava das barras da sua prisão pessoal. E no final gostei do rumo que foi insinuado.

Uma possível continuação? Quem sabe. Tem bagagem o suficiente para isso.

Além aos conflitos internos de Rose ela também tem que lidar com o fato de que alguém está tentando mata-la.

O assassino é um componente bem paralelo a trama e a tudo que Rose enfrenta no momento, mas ao chegar ao final ele foi apenas uma maneira de fechar tudo: Os conflitos, a culpa e finalmente a liberdade de Rose.

Todo o sofrimento durante sua vida, a dor emocional e física (de acordar do estase sozinha), foi causada pelas mesmas pessoas que estavam tentando mata-la.

Um circulo perfeito, apesar de muitos acharem que o assassino foi algo até dispensável, para mim fez total sentindo, considerando que quem destruiu a vida dela a muito tempo – de maneiras sutis –  apenas tentou terminar isso fisicamente.

O ritmo da leitura me manteve curiosa na medida certa e às vezes um pouco curiosa demais, rsrsrsrsr, nada que me fizesse olhar as ultimas paginas (acreditem eu já fiz isso inúmeras vezes) Anna Sheehah soube exatamente o momento perfeito de revelar detalhes.

Sem exageros ou faltas.

Os mistérios e a sensação de que você precisava continuar lendo para descobrir tudo, gerou uma compulsão muito agradável. Eu só queria sentar, ler, e aproveitar o livro.

Talvez por ter me perdido na leitura, depois de algum tempo não tentei me concentrar muito em descobrir todo o mistério por trás de Rose ter sido colocada para dormir (que é uma das mais constantes perguntas) e quando o livro finalmente atingiu o clímax eu não esperava por aquilo.

Eu simplesmente adorei “Adormecida”,rsrsrsr, é difícil explicar.

As mudanças que tornam o futuro um lugar interessante de morar quase não foram detalhadas, me lembrou “Starters” que também tem essa particularidade. Mas pessoalmente não achei que atrapalhou a leitura.

Acho que é considerado distópico pela característica comum da população ter sido dizimada.

Sim, no geral, foi. A Guerra, a Fome, a Peste e a Morte deram as caras montados em seus cavalos, jogaram polo e , então, voltaram par ao espaço celestial para esperarem pelo próximo apocalipse.

Essa foi a descrição de Bren sobre os “Tempos Sombrios” e se encaixou perfeitamente em tudo que destruiu a população seguidamente, em um efeito dominó.

E fez total sentido, não é difícil imaginar que os Quatro Cavalheiros possam ser frutos dos nossos erros e não da intervenção divina. Achei uma pena o assunto não ter sido mais aprofundado. Teria sido bem interessante.

O ponto mais emocionante, para mim, foi a descoberta da verdade sobre o que aconteceu com Xavier.

Ele tivera uma esposa. Criara dois filhos. Seu neto e eu éramos da mesma idade.(…) Que irônico. Eu tinha ensinado Xavier a andar.

 Não sei como descrever “Adormecida” porque eu simplesmente gostei. Sem maiores questionamentos… simples assim.

Tenho apenas um conselho: Se você ler e até a pagina 50 o livro não te prender, ou conquistar, desista porque ele não é para você.

Nota: 4 Supertablet

Ainda não acabou!

SEM VOCÊ NÃO GOSTA DE SPOILER NÃO CONTINUE LENDO!

CONTINUA AQUI, NÉ?

Deve gostar de spoiler, então aproveite comentário spoilerento saindo!!!!!!

Esse comentário é da leitora do blog Angelita, minha companheira de grupo, e quase gêmea(considerando o quanto temos as mesmas opiniões).

 Ela leu “Adormecida” enquanto eu fazia a resenha. Mesmo concordando uma com a outra em quase tudo, também temos opiniões opostas, e esse é seu review.

Nota 2 ou 3

Então, eu daria duas estrelinhas para o livro, mas… para ser mais justa, acho que ele merece três, por poucos motivos. Otto, Xavier, Bren e a Psicóloga merecem cinco estrelinhas kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk só por eles o livro em si levou 3 ao todo, porque considero as variáveis …

Primeiro ponto negativo: a autora coloca uma ladainha de paixão e amor da protagonista por Bren de forma tão mágica… pareceu algo deslocado, considerando que  a guria tinha acabado de sair do estase, se encontrava confusa e ao mesmo tempo de luto pelas perdas que sofreu em sua vida….

Xavier (adorei esse personagem, uma pena não ter participado tanto)… confesso que nessa  da historia de romance de Rose com ele, faltou tato da autora, primeiro… a parte em que explica sobre o relacionamento deles… putz… algo extremamente estranho…. a guria troca a fralda dele quando criança, acompanha seu crescimento… tudo isso de tempos em tempos… considerando os períodos em que ela fica em estase…. de repente… ela volta e BUM… eles se amam e começam a namorar…. achei muito estranho mesmo….

Outra coisa que me chamou a atenção, foi no momento em que eles se reencontram, a  autora simplesmente em vez de aproveitar e colocar a protagonista como um fraca e sem personalidade como ela colocou no livro completo e fazer ela dizer que a decisão de ter terminado com ele foi exatamente o que ele achava que era, e ele mais do que merecia ouvir a parte culpada dela nessa historia, afinal de contas, ele sofreu e muito, por anos… foi meio que injusto deixar ele viver dessa maneira e terminar o livro como se a protagonista estivesse fazendo um favor a ele em perdoa-lo.

Esse é um ponto positivo…. adorei a autora ter escrito que Xavier teve outro relacionamento,  o qual o amor foi recíproco e deixa implícito que foi algo construído, ocorrendo em um momento em que ele precisou ter sua humanidade resgatada.

Ele diz a Rose, que sua falecida esposa tinha conhecimento dela, porque eles se amavam, e neste momento Rose ficou com ciúmes, pois sabia que essa poderia ter sido a vida que teria tido  ao lado dele, sendo esse um ponto positivo, pois leva a protagonista a refletir, sobre sua escolha naquele momento. Deu vontade de dizer: “Você é tão decrepita em idade e tão bebezinha em consciência”.

Claro que levo em consideração seus anos perdidos e a falta de relacionamento com outras pessoas, mas por favor… ela tomou uma decisão a 62 anos atrás…. as vezes pensar que fugir de um conflito é o caminho, mas sempre há as consequências, seja de que âmbito for.

Toda essa circunstancia da vida de Xavier, demonstra que mesmo que as pessoas queiram/ desejem algo que pode vir a não dar certo, a vida nos apresenta outras possibilidades… e podemos ser feliz com elas.

Que bom que a autora considerou esse momento para o Xavier… ainda bem mesmo. Seria demais o cara ter que esperar anos luz para saber que a guria que ele amava estava viva e próxima a ele, ter que esperar uma conversa, onde parece que tudo que havia acontecido a ela, era culpa dele! O pior foi… ler a sequelinha fazendo como se ela o tivesse perdoado hahahahha!

Outro ponto que achei maravilhoso; foi em relação ao relacionamento de Otto e Rose… ambos com seus demônios , se entendendo e se compreendendo….no final, a autora ter mostrado uma possível relação de futuro, não só entre amigos, mas como homem e mulher entre eles, foi uma cartada maravilhosa… algo construído no tempo, nada mágico, deu um ar de realidade.

Achei muito bizarro da autora essa dependência da guria pela confirmação do outro, ao mesmo tempo em que descrevia uma pessoa desapegada de si mesma como individuo…  Sei que isso é importante para todos nós, a confirmação do outro, mas mesmo correndo o risco de ser reprovada ou de que o outro apresente uma percepção diferente, é normal nos colocarmos, é normal brigar com familiares, é normal desobedecer!

Sei que o fato dela entrar em estase, era considerado uma válvula de escape pra ela de situações tensas, assim como uma maneira dos pais se livrarem dela, quando era conveniente para eles, mas…. ainda assim, a autora poderia ter ajudado mais na emancipação dela como pessoa e desenvolvimento de autonomia.

Só dei uma nota dois para a Rose, porque houve momentos em que ela tem consciências criticas de suas próprias ações… isso é importante…. pelo menos a guria conseguiu se perceber nesses sentimentos que ela mesma fantasiou e criou pelo Bren, por ela perceber que colocou ele em uma situação difícil e por no fim ela mesma se questionar sobre seus sentimentos por ele e ao mesmo tempo por não compreender os sentimentos dela por Otto.

Os pais dela, foi um tremendo tapa na cara de humanidade! Nem falo nada kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk foi interessante demais.

Os pais sentiam necessidades de se alto afirmar, ele como pai e figura de poder e ela como mãe que exibia seu brinquedinho no momento em que desejava, mas descartava quando não estava afim de cumprir seu papel de mãe, algo parecido com nossa sociedade atual?

Qualquer semelhança, pode ser mera coincidência! heheheheehe

Quanto ao Robô, a meu ver teve mais presença de espírito do que a protagonista, kkkkkkkkk… ele mesmo se diz está conseguindo se compreender melhor a cada vez que ele se estimula… não nessas palavras claro hahahhaha

As ações foram mal descritas e chatas pra ser sincera.

A morte do robô e do Reggie foram toscas! Sem contar a participação do Reggie. Ficou algo fora do lugar… tipow… figura que quer poder, porem passa o livro inteiro como suposto assassino e no final morre porque estava bêbado e tentando ajudar?

Acho que poderia ter sido abordado essa parte dele de forma diferente, substituído ele até pelo robô, apesar de que o robô até foi interessante, como representante da tecnologia avançada, como Bren diz, a tecnologia pode matar as pessoas. Não discordo!!!!!

Gostei das explicações dos tempos sombrios. Pelos links discutidos, tais como: Tuberculose, HIV, Superpopulação, aquecimento global, peste bubônica.

Foi bom. Gostei de ler essas coisas, teve contexto, porem foi muito melhor ler na apresentação de Xavier que trouxe a vivencia dele junto com a historia.

Bem, acho que foi isso.

Adorei que acabou.

 

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5 Respostas to ““Adormecida” de Anna Sheehan – Resenha”

  1. Angelita outubro 30, 2012 às 5:44 pm #

    O bom desse livro, é a capacidade que ele tem de atingir as pessoas de formas diferentes…. conta muito a subjetividade de cada um… isso ai Day… estamos juntas hehehehe

    • Dayana Lopes outubro 30, 2012 às 6:14 pm #

      Isso aí! Ficou muito legal nossa resenha dupla!!!!!!

  2. Yasmin Dorneles outubro 30, 2012 às 7:37 pm #

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk… estou curiosa… mas quero SPOILERS meninash… aí decido se leio ou não… e o livro vai ter continuação?!

  3. Angelita outubro 30, 2012 às 9:20 pm #

    bah Yasmin, mas spoiler do que tem? não tem como kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  4. Suellen Pimentel novembro 1, 2012 às 10:33 am #

    hmmm ja tinha lido vaários blogs falando bem dele e realmente estou curiosa por lê-lo 🙂

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