A Menina Que Brincava Com Fogo (Millennium #02) – Stieg Larsson

30 jan

m2Editora: Companhia das Letras

Sinopse: Nada é o que parece ser nas histórias de Larsson. A própria Lisbeth parece uma garota frágil, mas é uma mulher determinada, ardilosa, perita tanto nas artimanhas da ciberpirataria quanto nas táticas do pugilismo, que sabe atacar com precisão quando se vê acuada. Mikael Blomkvist pode parecer apenas um jornalista em busca de um furo, mas no fundo é um investigador obstinado em desenterrar os crimes obscuros da sociedade sueca, sejam os cometidos por repórteres sensacionalistas, sejam os praticados por magistrados corruptos ou ainda aqueles perpetrados por lobos em pele de cordeiro. Um destes, o tutor de Lisbeth, foi mor-to a tiros. Na mesma noite, contudo, dois cordeiros também foram assassinados: um jornalista e uma criminologista que estavam prestes a denunciar uma rede de tráfico de mulheres. A arma usada nos crimes – um Colt 45 Magnum – não só foi a mesma como nela foram encontradas as impressões digitais de Lisbeth. Procurada por triplo homicídio, a moça desaparece. Mikael sabe que ela apenas está esperando o momento certo para provar que não é culpada e fazer justiça a seu modo. Mas ele também sabe que precisa encontrá-la o mais rapidamente possível, pois mesmo uma jovem tão talentosa pode deparar-se com inimigos muito mais formidáveis – e que, se a polícia ou os bandidos a acharem primeiro, o resultado pode ser funesto, para ambos os lados. A menina que brincava com fogo segue as regras clássicas dos melhores thrillers, aplicando-as a elementos contemporâneos, como as novas tecnologias e os ícones da cultura pop. O resultado é um romance ao mesmo tempo movimentado e sangrento, intrigante e impossível de ser deixado de lado.

Na primeira obra, Os Homens que não Amavam as Mulheres, foi um livro muito interessante. Em cada capitulo ele apresenta estatísticas relacionados aos direitos violados contra as mulheres na Suécia, seja em que âmbito se apresente.

Conforme apresentado na resenha anterior, Lisbeth e Mikael representam o coração da história. Lisbeth tem problema em se relacionar, de confiar nas pessoas, conforme apresentado no final do primeiro livro, ao perceber que nutria sentimentos por Mikael, ela simplesmente sai da vida dele, deixando ele triste pela forma como ela cortou a relação.

Nessa segunda obra, não ocorre de forma diferente. O qual transcorre um tempo, em que Lisbeth e Mikael não têm contato. Surgir uma nova pesquisa na Editora Millennium relacionada à investigação sobre o tráfico de mulheres, a chamada indústria do sexo e Lisbeth com seu talento, descobre sobre a pesquisa e de uma forma ou de outra, ela acaba relacionada e principal suspeita de triplo assassinato.

Mikael é o único a princípio que discorda das conclusões das autoridades e começa uma investigação paralela, procurando estabelecer o vínculo entre Lisbeth e os homicídios. E é nesta investigação que eles retomam de forma muito superficial o relacionamento deles, mesmo a distância.

O que fica dessa leitura, pra mim, é que, as pessoas preferem acreditar em algo pronto, a se questionar sobre os fatos, mesmo quando estão disponíveis e nítidos. Conforme citado na resenha da primeira obra, Lisbeth Salander é considerada uma paciente psiquiátrica, cujo diagnóstico é realizado por profissionais por meio de hipóteses, simplesmente porque ela se recusa a fazer testes que vão definir sua sanidade mental. Entretanto, esses mesmos “profissionais”, nem procuraram por estratégias e métodos para descobrir o porquê do silêncio, o que por si representa uma forma de se expressar.

A mídia e as autoridades demonstram de forma muito abusiva, o quanto os direitos de um ser humano não vale nada perante a sociedade, quando se trata de julgar, mesmo sem ter um resultado final. Laudos médicos, considerados sigilosos, são disponibilizados na internet para confirmar as pessoas sobre a possível debilidade mental da Lisbeth e os riscos que esta representa.

A vida dessa personagem, assim como seus relacionamentos são relatados e expressados de formas negativas, a uma sociedade que procura sempre por justificativas para compreender o comportamento do ser humano que é considerado “normal”, já aqueles que apresentam o contrario ao que se espera de normalidade, este perde sua capacidade defesa. As pessoas que tem algum vínculo com Lisbeth são expostas de forma a complementar sua suposta psicose. Em determinado momento no livro Os Homens que não Amavam as Mulheres, Mikael, justifica o comportamento de um determinado personagem, enquanto Lisbeth mostra a ele que não importa as variáveis que o levaram a agir dessa forma, foi uma questão de escolha. Essa personagem tem princípios e é inflexível quanto ao que acha certo e errado, sendo isto que leva as pessoas de seu meio social a tentarem defender uma protagonista que a própria lei descreve como um ser destituído de qualquer nível intelectual e capacidade de viver em sociedade.

Quase nas últimas páginas o autor vai desenvolver o que realmente aconteceu na vida de Salander, fazendo com que nós, leitores, reflita se realmente haveria uma forma melhor de se comportar, quando se tem pessoas que para camuflar os erros de outras, não demonstram escrúpulo algum em ter que culpabilizar um inocente. Nessa obra, Larsson, expõe em cada capítulo dados matemáticos para resolução de problemas, e juro que a capacidade de Lisbeth refletir sobre os fenômenos, como se fossem problemas de matemática a serem resolvidos, só nos faz apaixonar ainda mais por ela.

Se estou apaixonada por essa obra magnífica que é a trilogia Millennium? Sim estou. Como não se apaixonar por um produto, no qual o autor nos trás tantas demandas e atrela estas de forma que você vivencia literalmente a história e seu desenvolvimento. Cada oportunidade em que leio um livro tão completo, não consigo parar de me questionar, como há pessoas que ainda investem ou perdem (depende do ponto de vista) seu tempo em novelas.

Se encontrei pontos negativos, sim como todo livro, sempre tem algo, mas nada que faça a história perder sua credibilidade. Por exemplo, achei o inicio da leitura um pouco lenta, ao mesmo tempo em que o autor explora certas particularidades dos personagens que achei desnecessários, já que estes não tiveram importância na história, pois não foi desenvolvido. No mais, o desejo de virar cada página e ver o que vem pela frente continua, e entrar nesse mundo da investigação é maravilhoso.

Angelita Silva.

Ja leram? Gostaram? Comentem!

Beijos e até a próxima Obsessão!

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